Cuba – Havana, Varadero e praias

Cuba

Texto e fotos por: Juliane Faria

Há muito tempo eu vinha “lutando” pra aprender espanhol mas sempre acabava desistindo por algum motivo. A vontade de aprender não era apenas para ter um idioma fluente no currículo, mas também porque amo viajar e acabava usando o portunhol. Por gostar tanto de viajar, qualquer desculpa é o suficiente para sair por aí, e com o espanhol não foi diferente. Por que não ir passar umas semanas em outro país para estudar? Foi assim que defini as férias de 2017.

Escolhi Cuba por vários motivos, primeiro porque queria um lugar onde não encontraria tantos brasileiros, o que definitivamente aconteceria se tivesse escolhido Argentina ou Espanha, por exemplo, segundo porque ouvimos falar muito de Cuba sendo que cada um tem uma visão e opinião, mas eu queria ir e tirar minhas próprias conclusões sobre aquele lugar. E, claro, já era um destino que estava na minha lista.

Querer aprender outra língua me fez querer ir sozinha, assim teria uma chance maior de aprender e treinar o idioma. Já havia viajado sozinha para Europa há alguns anos atrás, mas desta vez achei que deveria me preparar mais pois mulheres viajando sozinhas pela Europa é muito comum, mas e para Cuba? Nas primeiras pesquisas já percebi que o país tinha uma ótima reputação em relação a segurança, claro que temos que ser cautelosos como quando viajamos a qualquer lugar do mundo, mas saber que era considerado um país seguro já me deixou bem tranquila. Chegando lá percebi que haviam muitas mulheres viajando sozinhas e achei incrível! Não só por saber que eu não era a única, mas porque isso é um grande incentivo para que outras muitas façam o mesmo.

Como eu ficaria 4 semanas em Havana e teria tempo, não fiz um roteiro, achei melhor ir conhecendo as coisas aos poucos e nos finais de semana viajaria para outras cidades. Pesquisei sobre os locais que queria visitar mas deixei para planejar tudo uma vez que estivesse por lá, até porque quando se viaja sozinho existe uma chance enorme de conhecer gente que está na mesma vibe que você, que também está viajando sozinho e assim é possível fazer passeios juntos.

INFORMAÇÕES ÚTEIS

  • Visto: Para entrar em Cuba é preciso de visto, mas não existe a menor burocracia para consegui-lo. Pra quem mora em São Paulo, pode ir direto ao consulado de Cuba e o visto – que não passa de uma papel que você preenche com seus dados e não é colado no passaporte como o americano – você pega na hora e custa em torno de 45 reais. Para quem não mora em São Paulo ou, como eu, quer evitar “perder tempo” indo até o consulado, é possível comprar o visto no balcão de check-in de algumas companhias aéreas. No meu caso, eu viajei com a Copa Airlines e me informei antes da viagem para garantir que eu poderia comprar o visto diretamente com eles. No aeroporto de Guarulhos os vistos tinham acabado e me disseram que eu poderia comprar no Panamá. Chegando no portão de embarque pude comprá-lo por US$20. O visto permite que você fique na ilha por 30 dias, podendo ser prorrogado por mais 30; 
  • Vacina da febre amarela: é solicitado o certificado internacional de vacinação e diferente de países como Panamá e República Dominicana, por exemplo, a apresentação para um agente sanitário é obrigatória no aeroporto de Cuba. A vacina é aplicada gratuitamente em alguns postos de saúde e o certificado internacional pode ser feito nos próprios aeroportos. É importante lembrar que é preciso tomá-la com pelo menos 10 dias de antecedência à viagem; 
  • Entrada no país: Como o turismo representa uma grande parte da economia cubana, barrar turistas é algo difícil de acontecer. Não achei ninguém relatando isso na internet, mas ouvi um conhecido contando que viu um americano que teve problemas para entrar. Como a relação Brasil-Cuba é boa, não há com que se preocupar na imigração; 
  • Moeda: o país possui dois tipos de moeda, peso convertible (CUC) utilizado principalmente pelos turistas (possui valor próximo ao do euro) e o peso cubano (CUP) ou moneda nacional (MN) utilizado principalmente pelos cubanos e vale aproximadamente 25 menos quando comparado ao CUC, ou seja, 1 CUC = 25 CUP. Hoje em dia quase todos os estabelecimentos aceitam as duas moedas e isso normalmente é bem sinalizado na entrada ou próximo aos caixas. Li em muitos lugares que turistas não conseguem utilizar CUP mas não tive problemas, caso você queira, pode ir a qualquer CADECA (casas de cambio cubanas) e trocar uma pequena parte do seu dinheiro. Vale a pena? Se você está em uma viagem super econômica pode valer a pena sim. Restaurantes ou locais frequentados na sua maioria por Cubanos são muito mais baratos e se você tiver CUPs poderá sair ainda mais barato. Um exemplo é um local próximo à escola onde eu estava, em Miramar, que vendia sandwiches de presunto por cerca de 10-25CUP mas que cobrava 1CUC de quem só tinha essa moeda. Pode parecer uma economia boba, mas no fim das contas pode fazer diferença já que as conversões nas lojas sempre saem mais caras do que quando feitas nas CADECAS.

Fique sempre atento ao pagar alguma coisa pois podem tentar te confundir com as duas moedas;

As notas de pesos cubanos possuem imagens dos heróis nacionais.

 

Os pesos convertibles possuem imagens de monumentos.
  • Cartões de crédito: eu não usei cartão nenhuma vez mas é possível utilizar Visa e Master em alguns lugares. Caixas eletrônicos para saque também são facilmente encontrados;
  • Câmbio: Não é possível comprar a moeda cubana no Brasil e nem trocar reais em Cuba. O ideal é levar euro ou dólar canadense já que possuem uma cotação melhor para troca. O dólar americano também pode ser trocado, porém além de não ter uma cotação tão boa nas CADECAS ainda existe a taxação de 10% em cima do valor da compra, ou seja, mesmo com a diferença do câmbio entre o euro e o dólar ainda assim é mais vantajoso levar o euro;

DICAS PARA QUEM PLANEJA IR À CUBA

  • Hospedagem: nas minhas pesquisas na internet através de sites comuns de pesquisa como Booking não consegui encontrar hostels ou casas no estilo Airbnb, mas garanto que existem! Se você for do tipo aventureiro pode arriscar chegar lá para buscar estes locais como fizeram algumas pessoas que conheci. Como eu sou do tipo planeja-tudo, pesquisei as duas opções mais comuns por lá: casas particulares e hotéis. As casas particulares são muito interessantes para conhecer um pouco mais de perto sobre o dia-a-dia das pessoas. Você fica em um quarto vivendo junto com uma família. Estas famílias possuem uma autorização para isso pois hospedar estrangeiros sem autorização do governo não é permitido em Cuba, mesmo que seja alguém da sua família, e acredito que assim se torna mais confiável e seguro. As casas particulares podem ser facilmente encontradas neste site http://www.casaparticularcuba.org/ . Os preços podem variar de acordo com a cidade e região, mas uma diária fica em torno de 25-40CUC sem café da manhã. No meu caso, optei por essa opção e não me arrependi. Como a casa onde fiquei é definida pela própria escola de idiomas, os donos só recebem estudantes e fica mais próxima à escola do que ao centro de Havana.

 

Os hoteis são encontrados aos montes nas principais cidades turísticas e também possuem uma variação grande de preço – em cidades como Varadero é muito comum quilômetros de resorts all-inclusive a beira-mar, como em outros lugares do Caribe como Cancún e Punta Cana.

  • Transporte: se locomover entre as cidades que você pretende visitar pode ser feito de diversas maneiras. As estradas têm boas condições e algumas podem cobrar pedágio.
    Se você prefere ter mais autonomia e liberdade a melhor opção é alugar um carro que variam de acordo com o modelo mas que podem ser alugados facilmente pois existem muitas locadoras por toda cidade, inclusive dentro dos hotéis. Se você não prentende se aventurar sozinho nas estradas cubanas também pode utilizar um taxi dependendo da distancia, claro que a viagem fica mais cara, mas se você estiver em grupo pode valer mais a pena quando comparando a ônibus turisticos.

A empresa Via Azul (http://www.viazul.com/) tem uma rodoviária em Havana e viaja a inúmeros destinos em Cuba. Os ônibus são confortáveis, com ar condicionado (leve alguma coisa para se cobrir, como uma toalha, pois o ar fica muito gelado!) e bancos reclináveis. Sempre há paradas para comer ou utilizar o banheiro. É preciso chegar na rodoviária com meia hora de antecedencia mesmo que a passagem já esteja comprada. A passagem de Havana a Varadeiro, por exemplo, sai por 26CUC ida e volta. Mas é preciso levar em conta o valor do taxi até a rodoviária que não fica próxima ao centro – de Miramar até lá cobram cerca de 8-10CUC.

Outra boa opção é contratar um transfer com alguma agência de turismo (Cubatur ou Gaviota, por exemplo) que estão dentro da maioria dos hotéis e, mesmo que você não seja hóspede, pode fechar pacotes ou transporte com eles – o valor de ida a Varadeiro com a Gaviota sai em torno de 15CUC. O problema do transfer é que o tempo de viagem normalmente é maior pois o ônibus passa em diversos hotéis para pegar os passageiros e depois para deixa-los no destino final. Uma viagem direto de Havana a Varadeiro dura entre 2h e 2h30, com o ônibus da Gaviota fiquei mais de uma hora apenas dentro de Havana enquanto pegavam todos os passageiros, mas resumindo, o ônibus passou no hotel de Hvana às 13h30 e cheguei a Varadero um pouco antes das 18h.

*Os banheiros dos locais de parada normalmente não têm papel higiênico ou sabonete, por isso sempre tenha com você. Além disso, alguns destes lugares podem cobrar propina para sua utilização; 

  • Propina: assim como em outros países, em Cuba é comum pedirem propina (gorjeta) em diversos lugares e por diferentes serviços. Na maior parte dos restaurantes a propina não está incluída, mas fique atento pois alguns já incluem 10% do serviço assim como no Brasil; 
  • Alimentação: a comida em cuba é deliciosa e muito parecida com a brasileira, arroz e feijão preto sempre estão presentes, assim como as carnes de porco e frango. A grande parte dos restaurantes também serve massas e frutos do mar (que são muito baratos quando comparados aos preços de São Paulo, por exemplo). Existem restaurantes para todos os bolsos e a sugestão é a mesma para qualquer lugar do mundo: quanto mais perto das principais atrações turísticas, mais caros. A dica é se afastar de locais com muitos turistas ou perguntar a algum cubano por uma sugestão barata e bem local. Pra quem quer visitar um restaurante com boa comida local e com preço justo recomento Los Nardos, localizado bem em frente ao Capitolio, em Havana. Ele possui três andares e cada um deles com um estilo, sendo que o do ultimo andar é o mais barato e o que normalmente cubanos frequentam. Os pratos tem um preço super justo e a maioria é grande o suficiente para ser dividido entre duas pessoas – se quer evitar filas enormes chegue antes das 19h;
Prato em Los Nardos – não deixe de pedir uma jarra de sangria da casa

 

O arroz moro é um prato típico cubano: arroz branco com feijão preto.
  • Serviço de celular e internet: se eu estivesse em Cuba por pouco tempo, talvez nem sentisse tanto a falta da internet. Mas fiquei por um mês e por estar sozinha não queria passar muito tempo sem me comunicar com a minha família para que ficassem tranquilos. Em todos os lugares que eu li antes de viajar só diziam o quanto a internet era cara e não funcionava bem, então para me garantir habilitei o meu celular para uso no exterior com a minha operadora. Os preços são extremamente altos para utilização em Cuba! Enviar um SMS, por exemplo, custa US$ 0,60 pela minha operadora, o minuto da ligação realizada US$ 5,99 e se quisesse habilitar o pacote de dados móveis (que não sei se funciona por lá) me custaria R$79,90 por dia!! Por isso, combinei com meu marido que enviaria SMS para avisar que estava tudo bem de vez em quando caso não fosse possível conectar à internet. O sinal era sempre bom e conseguimos nos falar por SMS diversas vezes.

Em Cuba as redes de wi-fi são disponibilizadas pela empresa ETECSA em diversos pontos das cidades e inclusive nas próprias lojas da empresa e dentro dos hotéis – se você encontrar um lugar na rua onde várias pessoas estão no celular, pode procurar porque ali tem um sinal de wi-fi! Para se conectar você precisa comprar uma tarjeta de internet que possui um usuário e senha para que você se conecte à rede. Um cartão vale por uma hora e custa 1,50CUC quando vendidas diretamente nas lojas (e em alguns hotéis) e o seu passaporte será possívelmente solicitado no momento da compra. Existem pontos de vendas em outros lugares mas podem custar muito mais, cheguei a encontrar cartões por 10CUC em um hotel! Nos pontos de wi-fi na rua também é possível compra-las, mas como são revendidas por cubanos saem mais caro que comprar diretos nas lojas da ETECSA. A tarjeta da imagem abaixo pode ser utilizada em qualquer rede de wi-fi do país.

O sinal não é dos melhores, pode desconectar muitas vezes, mas se você não está utilizando para trabalhar não acredito que será um problema.

 

  • Produtos de higiene pessoal: outro ponto que me preocupou um pouco enquanto fazia meu planejamento pois pessoas que visitaram Cuba diziam que esses produtos eram escassos e que era comum ver pessoas nas ruas pedindo esses produtos aos turistas. Levei tudo que ia precisar com medo (até papel higiênico!) e no fim das contas não precisava ter me preocupado tanto assim. Em mercados e farmácias é possível encontrar xampú, condicionador, hidratantes, protetor solar, pasta de dentes, etc. Claro que é melhor levar o seu, mas numa emergência é possível encontra-los com facilidade. O papel higiênico e toalha de papel costumam ser escassos nos banheiros, inclusive de alguns hotéis, por isso sempre levava um pouco comigo.
  • Melhor época para visitar Cuba: é possível aproveitar o tempo quente o ano todo, porém é bom se atentar à época de chuvas que vai de maio a outubro e pode atrapalhar um pouco sua viagem. No meu caso, peguei o fim de maio e começo de junho e as duas últimas semanas foram bem chuvosas. As chuvas normalmente são fortes e no fim da tarde, mas peguei dias inteiros de chuva que atrapalharam bastante os planos para lugares abertos. Entre junho e novembro é a temporada de furacões no Caribe. Ok, a chance de haver um furacão bem no período que você estiver lá é bem pequena, mas existe e deve ser levada em consideração.
  • Instrumentos musicais: Cuba é um país extremamente musical. Onde você for, vai encontrar nas ruas, praças e restaurantes, grupos tocando música tipica do pais. Os principais instrumentos musicais de Cuba são de percurssão, e você consegue comprar facilmente no Almacenes San José ou em qualquer loja de souvenir e artesanato. Meu marido havia me pedido para trazer um instrumento de corda chamado Tres Cubano, uma espécie de violão com três cordas duplas, lembrando um pouco a viola daqui. Encontrei no Almacenes San José por 300CUC e achamos muito caro. Enquanto eu viajava, meu marido pesquisou onde poderia encontrar por mais barato e encontrou Los Hermanos Burton, que são luthiers (pessoas que fazem os instrumentos) e cobravam 160CUC. O problema é que demora em média 15 dias para ser feito e eu estava no meus últimos dias em Cuba. Os Los Hermanos Burton fica Calle Crespo, 157 – Centro de Havana.
  • Não deixe de conversar com as pessoas! Os cubanos são muito receptivos e adoram brasileiros, estão sempre falando sobre as novelas e política do nosso país. Aproveite para conhecer um pouco mais dessa cultura e deste país lindo, peça dicas de locais para comer e o que visitar;

Acompanhe o relato no próximo post: Havana, praias e Varadero!

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1 ano de Livre Embarque

Coliseu Roma

É com muita alegria, que 1 ano depois estou aqui para agradecer! Agradecer por cada viagem que pude fazer, agradecer a cada leitor que veio até aqui ler um pouco das minhas ideias e dos colaboradores do blog e principalmente para os amigos e parceiros que acreditaram nesse blog junto comigo!

Comecei o blog em um período em que precisava de algo para me ocupar, algo pra investir meu tempo e usar minha cabeça para coisas úteis. Juntei as informações que tinha do turismo, com algumas coisas que sabia sobre wordpress e criei meu espacinho. Hoje o Livre Embarque ainda é pequeno, mas potente. É aqui que invisto meu tempo livre, que tento fazer meu melhor a cada dia.

Geralmente meus projetos não duram, pois acabo enjoando e querendo novos desafios, porém o blog nunca me deu a vontade de desistir, pelo contrário. Todos os dias procuro coisas novas e as melhores informações pra deixar esse espaço o mais completo possível pra você, leitor, que investe seu tempo em pesquisas para tornar a sua viagem a melhor experiência possível!

Fica aqui meu muito obrigada pra cada um que já leu o Livre Embarque, usou o blog como fonte de informação e acredita em cada linha publicada aqui. Espero poder colaborar cada dia mais com seus planos de viagem! ❤️

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Bath e o Festival de Jane Austen

Bath

Texto e foto por: Greice Marques

Hey Guys, hoje vim falar do meu destino favorito dentro da Inglaterra: A cidade de Bath. Visitei a cidade em duas ocasiões: a primeira delas em 2012 em uma day-trip para Stonehenge e Bath e a segunda em 2016 para o festival da Jane Austen.

Da primeira vez fui no inverno, então os dias eram muito curtos e por causa da nossa viagem a Stonehenge (relato em breve por aqui) tivemos apenas 3 horas na cidade, em um domingo em que tudo estava fechado, não houve tempo de ver quase nada, fizemos um passeio com o guia que nos contou um pouco sobre a história da cidade e algumas curiosidades e depois nos deixou livres para ver alguns dos pontos turísticos.

A cidade localizada no vale do rio Avon no condado de Somerset, virou patrimônio da Unesco em 1987, e chama a atenção por sua arquitetura georgiana e sua história. Acredita-se que a cidade foi criada pelos romanos que ali descobriram águas termais com propriedades curativas e construíram o que hoje é conhecido como Roman Baths e pode ser visitado pelo público. A cidade se desenvolveu em torno das águas termais e se tornou um complexo de spas atraindo os ricos e transformando-a em um ponto de encontro da alta sociedade Georgiana.

Atualmente, além dos Roman Baths, a cidade atrai um grande número de turistas por causa de uma de suas moradoras ilustres do século 19: a autora Jane Austen. Apesar de ter vivido na cidade por apenas 5 anos (de 1801 a 1806), e ter repetido inúmeras vezes em suas cartas que não gostava muito da cidade, duas de suas obras; Persuasão e a Abadia de Northanger são situadas no local e apresentam uma caricatura da sociedade na época em que a autora viveu. A cidade possui um museu dedicado a autora chamado The Jane Austen Center e também realiza o Jane Austen festival, que é uma semana de eventos relacionados a autora e suas obras.

Eu como uma boa Janeite, em minha primeira visita a cidade, percorri os lugares que aparecem no filme Persuasão (que por sinal é meu livro favorito da Jane), A rua Royal crescent, Pulteney Bridge, Bath Abbey and the Assembley rooms e passei em frente ao museu da Jane Austen que fica perto do Royal Crescent. Como tinha pouco tempo na cidade não pude entrar, mas conversei com o “senhor Bennet” que trabalha no museu e ele me disse que se eu tivesse oportunidade deveria voltar em Setembro para o Festival. Ele me garantiu que as pessoas se vestiam a caráter e desfilavam pelas ruas da cidade e isso nunca saiu da minha cabeça. No ano que passei em Londres, lembrei do que ele tinha me dito e aproveitei para visitar a cidade durante o festival.

A cidade é relativamente pequena, então um dia nela é o suficiente, porém aconselho que este dia seja dedicado apenas para a cidade. Se a intenção for visitar Stonehenge primeiro, acredito que seja melhor pernoitar na cidade para poder aproveitá-la de verdade, especialmente se a viagem for no inverno. No verão acredito que dê para fazer os dois destinos tranquilamente em um dia. Há uma série de opções de lugares com valores acessíveis. Quando visitei a cidade pela segunda vez fiquei em um hostel que custou 15 libras a noite.

Pultney Bridge foi o lugar que mais me encantou na cidade, a ponte que é uma de apenas quatro no mundo que possui lojas em cima dela em ambos os lados. A vista do rio e da ponte é a primeira coisa que vi ao entrar na cidade e é incrível. Eu me senti dentro de um filme de época. Descobri ao pesquisar para escrever o relato que a ponte foi utilizada como cenário para a morte de Javert em Les Misérables e agora amo ainda mais. 😉

The Circus e Royal Crescent são algumas das construções mais bonitas da cidade.  As casas do Circus formam um círculo, que junto com a rua chamada Gay street tem, propositalmente o formato de uma chave. The Royal Circus possui o formato de uma lua crescente e todas as casas tem vista para o parque logo em frente chamado Victoria Park. O gramado em frente as casas era o local de encontro da sociedade Georgiana, que passeavam por ali e inclusive tomavam café da manhã no local. Hoje em dia, o parque ainda é muito utilizado para piqueniques, passeios com os cachorros, e área de descanso para os moradores e turistas que visitam Bath.

bath vista de cima – the circus e royal crescent

O Roman Baths, que é o primeiro complexo termal da cidade, recebe o maior número de visitantes na cidade e também é o lugar mais caro de se visitar. Vale a pena para quem quer tomar um típico chá inglês, molhar as mãos nas águas termais, visitar o museu e conhecer a história da primeira construção da cidade. Eu decidi não visitar o Roman Baths, porque não quis aguentar as filas, porém todas as pessoas que visitam o local adoram a atração. Ao lado do Roman Baths, encontra-se a Abadia de Bath, e na praça e rua ao lado desses dois lugares encontram-se lojinhas de souvenirs e a maioria das lojas da cidade para quem gosta de fazer compras.

Bath e o Festival da Jane Austen

Em minha segunda visita à cidade meu foco era o festival, portanto fiz um walking tour dos lugares em que a Jane Austen morou e os locais que costumava frequentar. Walking tours são sempre uma ótima opção para conhecer os lugares da cidade, sendo o tour temático ou não, dá pra conhecer um pouco da história local e visitar os lugares mais importantes ao mesmo tempo.

Durante o walking tour passamos pela Great Pulteney street que fica logo após a ponte e fomos até a casa que a Jane morou por um tempo localizada em frente ao museu Holburne, que fica ao lado do Sydney Gardens que era onde a Jane e a irmã costumavam caminhar. O tour foi bem interessante porque fui para o lado da cidade que eu não tinha conhecido na primeira visita. As casas são todas com o mesmo tipo de arquitetura e a cidade tem várias colinas, então as caminhadas as vezes são cansativas, mas a vista e as paisagens são lindas.

Bath
great pultney street

O museu da Jane Austen chamado The Jane Austen Center é um ponto turístico indispensáveis para fãs da autora. Além de explicar um pouco sobre a situação dos Austens e sua relação com Bath, você ainda pode se vestir com roupas da época, testar suas habilidades com canetas de pena e aproveitar os souvenirs maravilhosos da loja do museu. Encontrei o mesmo senhor Bennet que disse para que eu visitasse a cidade durante o festival e contei para ele que estava ali por recomendação dele e ele ficou muito contente por eu ter voltado á cidade.

Bath

O festival conta com várias atrações pagas e os valores geralmente são bem altos. Como fui no último fim de semana do festival só consegui fazer o walking tour, e depois acompanhei o desfile chamado mini promenade, de pessoas caracterizadas com roupas da época. Amei. Achei tudo muito legal especialmente porque vários casais participam e as roupas eram maravilhosas!

Bath é o destino ideal para quem procura fugir da frenética Londres para conhecer cidades inglesas menos populosas e com paisagens incríveis. A sensação que tive foi a de ter voltado alguns séculos no tempo e de não querer voltar mais para o período atual.



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