Texto e fotos por: Marcello Morettoni

Quando eu recebi uma proposta para trabalhar e viver na Nova Zelândia, eu realmente não sabia muito sobre o país. Como é comum em nossa cultura a criação de estereótipos, eu realmente fui positivamente surpreendido desde a minha chegada até minha partida, quase dois anos mais tarde.

A primeira coisa que me chamou a atenção, foi a segurança. Realmente é muito difícil ver algo ruim como assalto ou criminalidade acontecer naquele lugar. Embora, os índices de violência doméstica causada por alcoolismo sejam altos. A polícia na Nova Zelândia não usa arma. Eu frequentemente caminhava no harbour de Wellington durante a noite, e nada nunca me aconteceu. Eu utilizei muito o transporte público, que por sinal funciona muito bem (me lembro de ver pessoas ligando e reclamando para a empresa de transportes pelo fato do ônibus estar apenas dois minutos atrasado). A praticidade em resolver as coisas sem muita burocracia também. Desde a abertura de uma conta em banco até o aluguel de uma casa, as coisas são muito mais fáceis. Ao contrário de nossa vida Brasileira, as pessoas confiam em você até que se prove o contrário. Me lembro uma vez em que eu precisava sacar dinheiro sem cartão na agência e o fiz sem a apresentação de documento pelo simples fato de que meu gerente me conhecia. Sendo Wellington uma cidade pequena, o clima provinciano toma conta do lugar. Em alguns meses você conhece muita gente. E frequentemente encontra as mesmas pessoas. O ponto positivo, é que é um lugar fácil para fazer amizades.

Alguns fatos curiosos sobre Wellington:

– Frequentemente você verá pessoas descalças nas ruas. Ou de pijamas no mercado.
O estilo de vida Kiwi (como os Neo Zelandeses chamam a si próprios) é muito tranquilo. Os Kiwis não apenas são extremamente amigáveis como não dão lá tanta importância pra muitas coisas como o que os outros irão pensar, por exemplo. Muitas vezes eles optam pela praticidade. Pelo menos no meu círculo de amigos, eles davam muito mais valor para a troca de experiências na vida do que para de fato seu trabalho ou salário. Isto é muito bom.

– A desigualdade ou diferenciação não é grande
Nem mesmo a tratativa social. Nos escritórios, trazer marmita é muito comum. Frequentemente sentei do lado do meu diretor, ou partner com a minha marmitinha e ele com a dele. É uma questão de dignidade humana. A mesma coisa nos bairros. Em alguns locais o cleaner mora no mesmo lugar que um executivo. Eu atribuo isto a segurança. As pessoas acabam por escolher o lugar que moram por ser conveniente e não por status ou qualquer outra razão como onda de assaltos.

– Carros novos nas ruas? Eles nem sequer lavam!
Não é muito comum ver carros novinhos ou bem cuidados. Na verdade, você verá muitos carros japoneses dos anos 90 e até mesmo com teias de aranha tomando conta das ruas.

– Wellington é uma das cidades que mais venta no mundo
Eu contei nos dedos quantas vezes em quase dois anos saí sem um casaco. Não foram muitas. De fato existe um curioso letreiro perto de miramar autoexplicativo.

Nova Zelândia: como é morar no país

Muitas vezes não dá nem pra posar pra uma foto sem seu cabelo aderir ao movimento:

Nova Zelândia: como é morar no país

– O número de estrangeiros é alto
Não apenas em Wellington, mas por todo o país, o número de estrangeiros é relativamente alto. Em sua grande maioria asiáticos.

– A comunidade de Brasileiros é positiva.
Existem muitos brasileiros no país. A maior concentração é em Queenstown (que por sinal esta na lista dos dez pousos mais bonitos do mundo), mas devido ao número de escolas de inglês em Wellington, encontra-se um bom número de Brazucas lá. Alguns deles, com mais de quinze anos morando no país. E a coisa boa, ao contrário de alguns lugares no mundo, a comunidade é muito amigável.

– Um prato cheio se você é amante da natureza
Qualquer lugar que você olha, é uma pintura. A paisagem é incrível. Se assim como eu, você gosta de acampar, trilhas ou um bom rio para mergulhar, lá é um dos melhores países. Tanto a ilha norte quanto a ilha sul carregam diferentes beldades. Mas cuidado: a água do mar ou do rio são extremamente frias em alguns locais.

Nova Zelândia: como é morar no país

No caso da imagem abaixo, a entrada deste morro era no bairro vizinho do meu.

Nova Zelândia: como é morar no país

– Sim, o sotaque Kiwi é difícil no começo.
Expressões como “Number eight wire”, e a substituição de “isn’t it?” ou “Aren’t they?” por um simples “EH?” fazem parte do dia-a-dia. Imagine um sotaque britânico do interior. Mas você pega facilmente depois de algumas semanas.

– Opa, tremeu!
Terremotos são comuns em Wellington. Mas, não em grandes proporções, como o do ano de 2016. Você está em casa e de repente treme tudo. As construções são preparadas para isto, e por esta razão se você morar em prédios haverá um sistema de alarmes. O museu de Wellington, chamado Te Papa, possui um simulador de terremotos bem legal! Além de uma galeria onde é possível ver como as fundações são construídas para suportar tremores.

– As rotas de vinhos são divinas
Comumente em Martinborough ou Otago, você pode visitar as fazendas onde o vinho é produzido, além de uma boa conversa com os fazendeiros.

Nova Zelândia: como é morar no país

– Sim, lá tem muita coisa do senhor dos anéis.
Hobbiton está lá, Rivendell está lá e é claro: Weta Cave. Eu morei em Miramar, na Weka Street, onde os estúdios da Weta ficam. De fato, este pequeno Orc ficava na minha esquina.

Nova Zelândia: como é morar no país

– Existe uma banda de samba lá. E ela é muito boa.
Tive a oportunidade de fazer parte dela inclusive, tocando nos bares de Wellington noites afora. A banda Só Samba NZ constantemente é vista em bares como Havana Bar, The grand entre outros. A banda é formada por Neo Zelandeses, Brasileiros e até o presente momento em que estive com eles um japonês também.

Nova Zelândia: como é morar no país

– A decisão de ir embora
Infelizmente eu tomei a decisão de deixar o país devido ao meu profissional. Sendo a Nova Zelândia um país pequeno, a quantidade de projetos na minha área eram limitadas. Quando meu projeto acabou, eu me vi numa encruzilhada entre permanecer fazendo a mesma coisa lá por muitos anos ou partir pra um local com maiores desafios. Acabei por me mudar para a Europa. Mas isto fica pra um outro post. 😉

 

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Escrito por Ana Luna
Fez intercâmbio, trabalha com turismo, viajou por aí e queria um espaço pra dividir suas experiências! Também é colaboradora do Maroon 5 Brasil