Viajar sozinha é um crescimento

As pessoas vivem em comunidade, sempre buscando estar na presença do outro. As pessoas tem medo de no fim estarem sozinhas. Mas, em alguns momentos, é necessário se bastar.

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Foto: San Francisco, 2013. Arquivo Pessoal.

Comecei a viajar sozinha pois fui fazer intercâmbio. Não conhecia ninguém nos EUA, muito menos em San Francisco. Meu intuito era fazer o curso escolhido, conhecer a cidade e assim que acabasse, voltava pra casa. Não imaginei no quanto essa viagem ia me fazer crescer.
Precisei tomar minhas rédeas, minhas decisões. Meus pais não estavam ali, então eu não poderia consultá-los o tempo todo (o que é normal quando se tem 21 anos). Precisei dar conta das minhas roupas, das minhas coisas, numa casa de estranhos, que poderiam muito bem não serem simpáticos (mas foram e são, muito!), enfim, tive que me virar 100% do tempo.
Minha principal amiga que morava na mesma casa que eu ia viajar no fim de semana e eu não poderia ir com ela. Meu mundo caiu. Ia ficar completamente sozinha lá, sem conversar, sem sair de casa. Num primeiro momento me desesperei, depois encarei bem a situação. Aproveitei que estaria só pra resolver pendências minhas, comprar algumas coisas que eu precisava trazer pro Brasil. Ela ter ido viajar foi a melhor coisa que aconteceu pra mim nessa viagem. Eu adoro ela e adoro a presença dela, mas estar sozinha me ajudou a ser independente em um momento em que eu precisava ser.
Senti-me tão livre e responsável cumprindo minha lista de afazeres, e nunca vou esquecer que parei um momento na praça, em um dia de sol pra comer um hot-dog e percebi que aquele desespero inicial tinha passado, eu estava me sentindo plena, eu me bastava naquele momento.
Agora para a Europa também fui sozinha. Sozinha porque eram as férias do trabalho, sozinha porque montei meu roteiro e fui, sozinha porque eu paguei, sozinha porque precisava ser assim. Viajar sozinha é um crescimento. Você aprende a confiar em você, fazer seu tempo, seu roteiro. Você se dá mais espaço para reparar na cidade, para ver detalhes que podem passar despercebidos quando se está com outra pessoa. Você se torna sua melhor companhia. Quando domina a língua local, não depende de mais ninguém. E quando não domina, é um ótimo momento para praticar, pois depende apenas de você. Viajar sozinha é um crescimento. E não digo que estar entre amigos, família ou qualquer outra pessoa seja ruim, não é nada disso. É só uma faceta diferente de encarar o mundo. E isso se aplica a todas as situações na vida. Se bastar é ótimo. É estar plena e confiante de saber que o que tem ali, naquele momento, é o suficiente. Mas se houver dúvidas, medos, aflições ou até mesmo solidão, não hesite em conversar com alguém, seja a pessoa no caixa do mercado, a pessoa que está do seu lado no hostel, enfim qualquer um. Os outros também têm muito a nos ensinar, mesmo que estejamos sozinhos. Ou principalmente quando estamos sozinhos.

Inspiração de hoje: http://www.coisasdediva.com.br/2016/07/viajar-sozinha/

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